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André Rio reinventa o frevo em chave íntima e contemporânea com o “Frevo ao Pé do Ouvido”

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O novo single é frevo de bloco em parceria com o guitarrista Luciano Magno


O frevo, gênero nascido do corpo em movimento e da urgência das ruas, ganha novas camadas de escuta em “Frevo ao Pé do Ouvido”, novo single de André Rio, que chega às plataformas digitais em 08 de janeiro de 2026. A faixa marca o encontro do cantor e compositor pernambucano com dois músicos de alta voltagem criativa: Luciano Magno, na guitarra semiacústica, e o maestro Fábio Valois, ao piano.


Trata-se de um frevo de bloco, composto por André Rio e Luciano Magno, com letra assinada por André, que se distancia do formato orquestral expansivo para apostar em um arranjo minimalista, compacto e construído com rigor e parcimônia. A escolha estética não reduz o gênero , ao contrário, amplia sua potência simbólica. Aqui, o frevo não apenas convoca a dança: convida à escuta atenta, ao mergulho nas nuances melódicas, harmônicas e poéticas.


O arranjo, desenhado com precisão, explora o virtuosismo dos convidados sem recorrer ao excesso. A guitarra de Luciano Magno dialoga com o piano de Fábio Valois em clima de cumplicidade musical, criando uma atmosfera intimista e quase confessional, que sustenta o canto de André Rio — um dos mais importantes intérpretes do frevo contemporâneo, com mais de 100 frevos gravados ao longo de uma carreira que soma 30 discos.


A gravação conta ainda com um time de músicos que imprime densidade rítmica e sofisticação instrumental à faixa: Braulio Araújo (baixo), Rodrigo Barros (bateria), Pita e Temilson Cavalcanti (percussões) e Gilberto Pontes (sax soprano). O single foi gravado e mixado por Vanutti Macedo, em seu estúdio no Recife, preservando o calor orgânico da performance e a clareza sonora exigida pelo conceito do projeto.


“Frevo ao Pé do Ouvido” ultrapassa o formato do áudio. No mesmo dia do lançamento do single, André Rio disponibiliza no YouTube o videoclipe oficial, gravado parcialmente no estúdio Vanutti e nas ruas do Recife Antigo. As imagens dialogam com a música ao registrar a performance da multiartista pernambucana Maria Flor, que traduz em movimento a proposta do frevo como expressão sensível, urbana e viva.


O single integra um projeto maior, que culminará no lançamento de um álbum em maio de 2026, dedicado a releituras do cancioneiro nordestino, interpretadas pelo trio. O repertório também será apresentado na turnê europeia “Viva Pernambuco – Ano 26”, que dá continuidade a uma trajetória internacional iniciada há mais de duas décadas, levando a música pernambucana aos principais festivais de verão da Europa.


*André Rio: frevo como origem, identidade e permanência*


A relação de André Rio com o frevo é orgânica, histórica e territorial. O gênero nasceu no bairro de São José, no Recife — o mesmo chão que viu nascer o artista. Essa coincidência geográfica se desdobra em identidade estética: André não apenas canta o frevo, atua como um de seus principais articuladores contemporâneos, mantendo viva a conexão entre tradição e invenção.


Com uma obra fonográfica extensa e coerente, André Rio construiu uma trajetória marcada pela defesa do frevo como linguagem viva, capaz de dialogar com novos arranjos, formações e contextos sem perder sua força original. Seu canto, ao mesmo tempo vigoroso e preciso, equilibra energia popular e refinamento interpretativo, reafirmando o gênero como patrimônio sonoro em constante movimento.


*Luciano Magno: a guitarra nordestina em estado de invenção*


Reconhecido como um ás da guitarra nordestina, Luciano Magno construiu uma assinatura musical que transita com naturalidade entre o frevo, o jazz, a música instrumental brasileira e as matrizes rítmicas do Nordeste. Em “Frevo ao Pé do Ouvido”, sua guitarra semiacústica assume papel central, não como adorno, mas como voz narrativa, dialogando com o canto e o piano em camadas sutis de harmonia e ritmo.


Luciano imprime ao frevo um fraseado contemporâneo, sofisticado e respeitoso à tradição, ampliando o campo expressivo do gênero sem descaracterizá-lo. Sua participação reafirma o frevo como território fértil para a experimentação musical, capaz de acolher novas sonoridades e abordagens estéticas.


*Fábio Valois: arquitetura sonora e tradição reinventada*


Pianista, arranjador e maestro de atuação decisiva na música pernambucana, Fábio Valois ocupa lugar central na engrenagem estética de “Frevo ao Pé do Ouvido”. Seu piano não atua como simples base harmônica, mas como elemento estruturante do discurso musical, costurando silêncios, tensões e resoluções com refinamento e sensibilidade.


Com trajetória marcada por trabalhos com inúmeros artistas brasileiros, Valois também é reconhecido como um dos arranjadores de frevo mais requisitados da atualidade. Foi responsável pela direção musical do último DVD de Cauby Peixoto e mantém, em seu estúdio à beira-mar da praia olindense, um dos principais polos de gravação do gênero, por onde já passaram incontáveis intérpretes e compositores do frevo.


Em “Frevo ao Pé do Ouvido”, Fábio Valois reafirma sua capacidade de traduzir tradição em linguagem contemporânea, respeitando as raízes do frevo ao mesmo tempo em que amplia seus horizontes sonoros, com um piano que ora conduz, ora escuta — sempre em diálogo.


*Frevo como resistência e escuta*


Mais do que um lançamento, “Frevo ao Pé do Ouvido” é um gesto de permanência. Um frevo que não se impõe pelo volume, mas pela escuta; que não atropela, mas se aproxima. Nascido do atrito entre metais, passos e ruas, o gênero aqui se recolhe para revelar sua delicadeza — sem jamais perder o pulso, a chama, o nervo que o mantém vivo.


É o frevo que atravessa o Recife das madrugadas e dos carnavais, que sobe as ladeiras de Olinda, que resiste no interior pernambucano como memória em movimento. Um frevo que aprende a sussurrar sem deixar de incendiar. Que dança no corpo, mas também repousa no ouvido, no coração, no tempo.


Frevo não apenas como festa,
mas como linguagem.
Não apenas como explosão,
mas como permanência.
Frevo para dançar, sim.
Mas também frevo para ouvir, guardar e atravessar gerações.
Letra – “Frevo ao Pé do Ouvido”
Autores
Música: André Rio e Luciano Magno
Letra: André Rio
Meu frevo é pra tocar
É chama na alma
Dar salto e pirueta
Só com a emoção
Meu frevo é pra escutar
Juntinho ao pé do ouvido
Sentindo o meu canto
Com o coração
Meu frevo é pra voar
Nas asas do tempo
Rasgar a noite escura
Como um véu
Meu frevo é pra cantar
Baixinho ao pé do ouvido
E acender constelações no céu
Frevo ao pé do ouvido
Lírico e ardente
Frevo apaixonadamente
Vivo e quente
Frevo Pernambuco
Frevo incandescente
“Queiram ou não queiram”
É a cara da gente
Frevo Pernambuco
Frevo incandescente
“Queiram ou não queiram”
O frevo segue em frente


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